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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Rene Descartes

Nascido em 31 de Março de 1596 em La Haye, na França. Formou-se em Direito e se engajou no serviço Militar. Sua memorável obra, O Discurso do Método, foi publicado em Leiden, na Holanda em 1637.
Escrito em vernáculo (Nome que se dá ao idioma próprio de um país, de uma nação ou região), a obra propõe um modelo para conduzir o pensamento humano através do método cartesiano. Tal obra visa substanciar, com minuciosos detalhes, a natureza, os sonhos e a arquitetura (sendo essa, usada de maneira puramente coloquial)  juntamente como o funcionamento do sistema cardiovascular.
Sendo tais exemplos examinados pela experiência do autor. Sua famosa metodologia também recebe o nome de Ceticismo Metodológico, que possui como o principal pilar, a dúvida.
Descartes defende de maneira concisa asseverando com entusiasmo a existência de Deus, passando por experiências subjetivas e, prováveis, no seu entendimento. Flertava com sua lógica em total contrassenso com o que ele chamou de paralogismo.
Descartes não se furtou o direito de se sentir desconfortável com relação ao regime que condenou Galileu Galilei e, trouxe um introvertido impasse sobre a publicação dos seus trabalhos. Mas, por motivos grandiosos (a coragem), Descartes nos privilegiou com suas magníficas obras, e nesse ínterim, trataremos de uma das mais importantes – O Discurso do método.
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O livro foi divido em seis partes, pois, segundo Descartes, existia a possibilidade de seus leitores encontrarem alguma resistência, dado que, a narrativa se mostra demasiadamente longa para ser lida de uma só vez, sendo assim, a divisão iria trazer para o apreciador uma experiência equilibrada, fleumática e, sobretudo, satisfatória, favorecendo assim, a análise reflexiva das ideias colocadas por ele.
A divisão estrutura-se da seguinte forma;

1. Parte
Descartes começa considerando o bom senso e a sua distribuição no mundo, alicerça nele o discernimento do bem julgar, do verdadeiro e do falso, e afirma ser o bom senso de igual modo para todos os homens.

2. Parte
Descartes, após voltar da coroação do imperador, no começo do inverno, encontrava-se interditado em uma caserna onde encontrou um isolamento que lhe trouxe harmonia com os seus pensamentos, pois, segundo a narrativa, não havia ali nenhuma conversa que o distraísse, nenhuma preocupação, e nenhuma paixão que o perturbasse, permanecia o dia inteiro sozinho.

Nesse ambiente, Descartes dispunha de todo o tempo para se debruçar nos seus pesamentos. Ele começa a ruminar seu método. Saindo do mundo das ideias para se transformar em um instrumento que, bem manejado, aproximaria o homem da verdade quase que de maneira irrefutável. O pensamento cartesiano consiste na pesquisa dos “objetos” dentro de um universo de coisas reais e, possui como sustentáculo, algumas importantes premissas. São elas;

 → Nunca aceitar coisa alguma como verdadeira sem que a conhecesse evidentemente como tal. 

→  Dividir cada uma das dificuldades para que se examinasse em tantas parcelas quantas fosse possíveis necessárias para melhor resolvê-las.

→ Conduzir por ordem os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para ascender pouco a pouco, como que por degraus, até o conhecimento dos mais compostos; e, supondo certa ordem, mesmo entre aqueles que não se precedem naturalmente uns aos outros.

→  Fazer em tudo, enumerações tão completas, e revisões tão gerais, que tivesse certeza de nada omitir.

3. Parte
Descartes propõem uma reconstrução sendo ele próprio no papel de arquiteto. Trata-se de um lugar para morar onde antes seria necessário demolir e reconstruir com juízos conduzidos pela razão e, por uma moral provisória que Descartes trata de especificá-las.

→  Obedecer às leis e os costumes dos seus pais.

→  Ser o mais firme e resoluto que pudesse em minhas ações e, não seguir com menos constância as opiniões mais duvidosas, uma vez que por elas me tivesse determinado do que as seguiria se fossem muito seguras.

 → Sempre tentar, antes de vencer a mim mesmo, do que a fortuna, e modificar antes de meus desejos do que a ordem do mundo, e, geralmente, acostumar-me a crer que não há nada que esteja inteiramente em nosso poder, a não ser os nossos pensamentos, de sorte que, depois de termos feito o que nos era possível no tocante às coisas que, nos são exteriores, tudo o que nos falta conseguir é, em relação a nós, absolutamente impossível.

→ Passar em revista as diversas ocupações que os homens têm nesta vida para procurar escolher a melhor e, sem nada querer dizer dos outros, pensei que o melhor que tinha a fazer era continuar naquela em que me encontrava, isto é, empregar toda a vida em cultivar a minha razão e progredir, o quanto pudesse, no conhecimento da verdade, seguindo o método em que havia prescrito.
Descartes passa agora a deliberar sobre o coração e o seu funcionamento, mostra de forma objetiva a circulação sanguínea e a formação dos ventrículos.
Finaliza com a certeza que, tais máximas são, na sua veracidade, uma demonstração a efetividade da fé.

4. Parte
Descartes começa não assumindo sua segurança acerca das suas primeiras meditações que, segundo o próprio, envolvia a metafísica e fatores incomuns, e ainda, não apreciados por todos.
Doravante, observa os costumes e as opiniões duvidosas e acrescenta com assertividade que os nossos sentidos algumas vezes nos enganam. No decorrer do texto, Descartes volta a ajuizar sobre Deus e fala sobre os homens que, não se agarram na existência deste – levando-os mais uma vez a entender suas razões anteriormente apresentadas para confirmar a subsistência de Deus.

5. Parte
Descartes quer continuar a expor toda a cadeia de outras verdades deduzidas das primeiras, contudo, se vê obrigado a agarrar em questões controvertidas que visivelmente iria desagradar os eruditos, dos quais, Descartes não deseja atrair a inimizade. Haja vista, o melhor, segundo o próprio, será deixar que os mais sábios julgassem se seria útil que o público fosse mais especificamente informado a esse respeito, e se limita a deliberar sobre as controvérsias enxergadas no seu entendimento.

Ademais, Descartes alicerça suas razões nas provas apresentadas por ele de grande parte das indagações que, promoviam dúvidas, e apresentar que tais são uma perfeição característica de Deus, mesmo tendo criado vários mundos todos seriam observados por este Deus criador.

Descartes retorna com mais vigor a ponderar sobre o funcionamento do coração, mostra detalhes minuciosos e aprimora sua explicação revelando a veia cava, a concavidade direita, e a artéria venosa.
Discorre sobre o calor que dilata o sangue e as aberturas por onde penetra o mesmo. E ainda, deixa claro que, o movimento do sangue foi explicado pelas suas considerações, e que toda a circulação converge para o coração.
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Por fim, Descartes acrescenta que, anteriormente havia refletido sobre a alma racional e mostrou que ela, a alma, não poderia ser tirada do poder da matéria.

6. Parte
Descartes indaga se deveria ou não publicar suas obras, lembrado que, Descartes se intimidou quando soube que Galileu Galilei se viu intimado a “repensar” sobre suas publicações.
A obra em questão ficou por três anos reclusos devido à intolerância do regime dominante da época.
Descartes se mostrou tendencioso a continuar empregado seu tempo enquanto vivo no conhecimento da natureza. Finalizou deixando um agradecimento a cada pessoa que teve a oportunidade e dispôs de tempo para ler e refletir sobre suas obras.

Conclusão
Indubitavelmente, Descartes defende sua crença e mostra um apurado conhecimento daquilo que apresentou na obra em questão.Mostrou também uma maturidade coesa em suas colocações com premissas tonificadas a cada explanação.
Sua metodologia esboça eficiência e confere pertinência à razão na busca pela verdade, modela sem ressalvas as etapas traçadas pelo que mais tarde ficou conhecido como Cartesianismo aplicado nas ciências naturais.

Influenciou o racionalismo e insistiu em proclamar um Deus que idealizou todas as variações abrangentes existentes do planeta. Variações estas que, tangem desde as leis naturais até o obscuro universo e suas impensáveis leis.
Obviamente, a leitura e a reflexão dessa magnífica obra, O Discurso Do Método, está exponencialmente em uma progressão, propondo sempre, novos entendimentos e embates enriquecedores para a imensa gama da epistemologia.
Uma leitura indispensável para quem se interessa por ciência e pela genealogia da sua metodologia que, atualmente, conduz a maior e a melhor parte do pensamento humano. Uma síntese salutar para a compreensão dos “objetos” e do mundo.

Fonte 
→ O Discurso do Método - René Descartes