menu

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Escolas Filosóficas (3)

8 – ESCOLA ESTOICA.
Zenon de Citium é a mais importante figura dessa escola. Chamado também de Zenão, por alguns, esse filósofo nascido na cidade de Citium viveu na região da Ásia Menor de 336 a 274 a.C. Quando esteve em Atenas, estudou com os platonistas. Foi o fundador da Escola do Pórtico. Ele ensinava na Stoa Poecile – “Pórtico das Pinturas” – de onde se deriva o nome de sua escola, “Estoica”.


Zenao de citio_1
Zenon / Zenão

Não era um cidadão ateniense, mas teve destaque em Atenas, pois foi amigo dos reis que sucederam a Alexandre o Grande. O pensamento basilar desta escola é, primordialmente, sua doutrina moral.
Para Zenon, a eudaimonia ou o fim último da existência humana, consiste na prática da virtude. Platão, entendeu que essa prática virtuosa não deveria recusar concessões aos sentidos e às paixões. Mas, diferentemente de Platão, Zenon entendeu que a melhor atitude ética diante das coisas seria a apatheia, termo grego de significado igual a “apatia”. Entretanto, para Zenon, este termo é muito mais que a “falta de energia” ou “indolência” – é o estado da alma no qual ela não se deixa atingir nem pela dor, nem pelo sofrimento, nem pelas paixões. É tornar-se diferente, ou melhor, ainda, impassível, sem se deixar tomar e levar quer pela dor, quer pelas paixões.

9 – ESCOLA DE CINOSARGO.
Ginásio ateniense onde Antístenes ensinava a filosofia cínica. Localizado fora dos muros da Atenas da Grécia Antiga na margem sul do rio Ilissos. Sua localização exata é desconhecida, mas é geralmente localizada nos subúrbios do sul de Atenas.


200px-Anisthenes_Pio-Clementino_Inv288
Antístenes


10 – ESCOLA NEOPLATÔNICA.
O fundador do neoplatonismo foi Plotino, que viveu de 270 a 205 a.C. Plotino reafirmou as teses fundamentais de Platão, especialmente o dualismo, todavia, o aplicou de um modo religioso, criando uma filosofia religiosa. Para o pensador, o maior bem se relaciona a Deus, que é totalmente transcendente e espiritual. Deus é o principio único e absoluto de todas as demais coisas. Essas por sua vez, “emanam” de Deus. Ou seja, as coisas existentes são emanações divinas. Essas emanações têm ordens diferentes. Vejamos:


200px-Plotinos
Plotino

  • nous – termo grego traduzido como “uno”.
numena” e/ou numinoso, em contraste com o fenomena, “fenômeno” – é a origem direta do “uno inteligente” ou Deus. Para os Estoicos, tudo tinha espírito, inclusive as plantas, os animais, os seres animados e os inanimados. Para eles, entender o mundo desse modo já denota o princípio da sabedoria, porque conhecer a gnose, era ter a percepção da totalidade – em grego, kataletoia.
  • A bios – termo grego traduzido como “vida” – é a emanação secundária do nous;
  • A “alma universal”. A bios é uma entidade em si mesma, de onde se origina uma alma comum ou universal;
  • A “alma individual”; A “matéria” – esta posta antiteticamente a nous, ou seja, é multipartida, destituída do bem e da inteligência, pois estes habitam o nous.

11 – ESCOLA  AGOSTINIANA.
A figura mais importante dessa escola, como o próprio nome sugere, é Agostinho. O filósofo nasceu em Hipona, ao norte da África. Em 354 e falecendo em 430 d.C., em Cartago, onde foi bispo local da Igreja.


aurelioa
Agostinho

Agostinho estudou em Milão seguindo a linha dos antigos pais da Igreja, buscou uma base racional para a fé cristã. A mais importante contribuição do pensador, entretanto, é no campo da concepção da história. Agostinho foi o primeiro pensador a criar o que hoje se denomina “filosofia da história”.
Este pensamento encontra-se no seu livro Duas Cidades, no qual, baseado no dualismo platônico, nos fala da “Cidade de Deus”, fundada no amor divino, e da “cidade terrena” ou “cidade humana”, fundada no amor a si. Como um bom platonista, entendia que essas duas cidades estão em confronto. Essa oposição é perene e insuperável. Por isso, entendia Agostinho, que o sentido real da história é um sentido teológico, pois a história caminha para superar a “cidade humana” sendo transformada pela força do amor divino, em “cidade de Deus”.
Observa-se que os números, a matemática, têm importância na reflexão dos filósofos da época: nous é o uno, termo derivado do num – “um” – e bios vem de bi – “dois”.
Diga-se de passagem, que, antes de se converter à fé cristã, Agostinho era ateu, tendo estudado com Maniqueu, de quem herdou o seu dualismo platônico. Segundo os estudiosos, Agostinho é o principal estruturador da teologia de linha platônica no cristianismo.